
Dieci Inverni é uma história de amor escrita e realizada por Valerio Mieli, um novo nome do cinema italiano que assina aqui a sua primeira obra, nomeada para o Grande Prémio do Festival Internacional de Cinema de Tóquio de 2009.
Não tanto, porventura, uma história de amor como uma história sobre um amor, o filme retrata-nos os curtos episódios dos encontros e desencontros entre um jovem rapaz e uma rapariga durante um longo período de dez anos. Contudo, e algo já indiciado pelo seu título ("Dez Invernos"), o maior interesse de Dieci Inverni não está em mostrar a história de uma relação pelos seus momentos solarengos ou de uma Itália tipicamente vistosa e convidativa. As histórias deste amor são histórias passadas entre uma Veneza fria de casas improvisadas e pequenas ilhas escondidas por onde os dois personagens vivem as suas diferentes experiências de convivência (juntos ou separados, conhecidos ou fingindo-se desconhecidos), com passagens para uma Moscovo ainda mais gelada, cidade também adoptada pela protagonista feminina, especializada em literatura russa, ao contrário do jovem rapaz, que tenta seguir o seu trabalho em artes performativas e circenses, elemento mais optimista que o acompanha ao longo de toda a relação. No fundo, se Dieci Inverni nos mostra a tristeza dos desencontros e dos momentos impossíveis do que ainda é um grande amor, acaba por trazer-nos, do mesmo modo, uma prova de um amor possível, como serão todos na sua natureza, e da ternura de uma vivência difícil mas esperançosa.
Assim, Dieci Inverni acaba por tocar mais quando não se vive o amor mas se vive sobre ele, quando a espera pela concretização de uma relação é sentida na dificuldade da aceitação de um presente ainda impossível entre os dois personagens, com acasos da vida e outros conhecimentos a surgirem como obstáculos para aquela que se vê, a olhos vistos e escondidos, como uma paixão que tenta sobreviver à frieza de um ambiente e às diferenças de dois personagens. Se os invernos são frios e o amor nos aquece, se a timidez nos retrai e as desilusões nos separam, entre os invernos vivem também as saudades e as expectativas de uma paixão que sabemos presente e para a qual o fim nunca está escrito. Dieci Inverni é também um retrato agridoce e com a sua sensibilidade para um retrato sobre a possibilidade sempre presente de uma vida renascida.
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