IIIª ed. Maio-Junho de 2010 em Lisboa, Porto, Coimbra e Abrantes


A 3ª edição de 8 ½, Festa do Cinema Italiano, regressa em Maio com uma presença cada vez mais alargada no país!
Lisboa: 21-29 de Maio no Cinema Monumental, no Cinema King e na Cinemateca Portuguesa;
Porto: 18-20 de Junho na Fundação Serralves;
Coimbra: de 31 de Maio a 2 de Junho no Teatro Gil Vicente;
Abrantes: 2-6 de Junho no Cine-Teatro São Pedro.

domingo, 16 de maio de 2010

Mar Nero; Federico Bondi


Mar Nero é a primeira longa-metragem do estreante Federico Bondi, que vem, com esta obra, sublinhar a proximidade, por vezes não tão latente, do cinema italiano às questões sociais da actualidade mais recente do seu país. A narrativa do filme centra-se na relação entre a romena Angela e a italiana Gemma, viúva em luto, que se vê aos cuidados da jovem romena recém-chegada ao país. No decurso do filme, uma relação difícil e à partida muito improvável vem mostrar que os elos entre duas gerações, dois países e duas formas de sentir (uma jovem e esperançosa, outra idosa e solitária) parecem juntar-se em pontos mais importantes do que aqueles que se poderiam julgar à partida. Entre uma Florença suburbana e descaracterizada do seu romantismo e uma passagem para a pequena cidade de Sulina na Roménia, o filme prefere focar-se nos grupos familiares e de convívio social dos seus protagonistas (tanto pela sua abundância como ausência), confundindo-se, por vezes, os interiores e exteriores de uma cidade e de outra, concentrando-se o filme, desta forma, no que acaba por aproximar os dois personagens, cada um vivendo em territórios onde a separação de quem amam é uma nova realidade de vida.
O filme, contudo, acaba por estar longe de uma mera mensagem social (algo assente no seu início devido às diferenças culturais, alguns momentos de tensão e marcos políticos inevitáveis, como a recente entrada da Roménia da União Europeia e as tensões provocadas pela crescente presença da comunidade emigrante romena nas cidades italianas) para se mostrar, através de uma produção surpreendentemente simples, numa filmagem cujo tom parece procurar mais os momentos que subsistem entre as relações e o que permaneceu das relações que acompanharam as suas vidas, tanto por passados ainda presentes no quotidiano (por quem vive o luto), como por promessas de futuro ainda por concretizar (por quem vive a separação do seu país). A seu fim, as questões políticas e sociais acabam por dar lugar a uma abertura e a uma compreensão mútua entre personagens que anseiam, no fundo, por momentos de ternura, amor e amizade, fechando-se numa história cujo tom mais poético do que político. Um filme simples que toca em questões actuais de uma sociedade e sentimentos sempre presentes em todos os que a compõem, independentemente da sua origem ou nacionalidade.

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