
Em Ospiti, segunda longa-metragem de Matteo Garrone, o realizador centra-se na vida diária de dois jovens emigrantes albaneses, que procuram não apenas uma ocupação para os seus dias mas um sítio onde possam ser hospedados na cidade. Sem se conhecer exactamente de onde vêm na cidade de Roma (a "terra de meio" que Garrone imprime na sua visão da cidade e dos seus arredores), os jovens acabam por encontrar, depois de uma breve experiência de trabalho, um romano que os acolhe no seu estúdio de trabalho e que vê neles uma imagem semelhante à sua própria vida: um marginal que não se identifica com o modo de vida daqueles que o rodeiam nem com os seus horários estruturados, acabando por entrar cada vez mais no estranho dia-a-dia dos dois jovens (que tem tanto de responsabilidade adulta como de diversão mais juvenil) e a incentivá-los a encentar várias actividades que os motivem a viver numa cidade que parece não querer, à partida, recebê-los.
Contudo, e apesar do retrato de Roma neste filme ser, de novo, um lugar de estradas e passagens por onde personagens circulam nas suas margens (esperando ou procurando, como o personagem idoso que procura a sua mulher perdida nas ruas e nos autocarros), onde a câmara de Garrone funciona, também ela, como um veículo para se entrar na viva realidade da sua circulação e dos seus habitantes, a sua questão social (com imagens quase "documentais" sobre as famílias albanesas dos jovens e o peso diário que sentem em sustentá-las num paraíso falhado) acaba por surgir como factor de aproximação entre quem recebe (o fotógrafo italiano) e quem é recebido (os jovens albaneses). A tensão da sua relação é marcada pelo desconforto de alguma vizinhança, que nos mostra o problema real da integração das comunidades emigrantes na população, sendo que aqui se tratam, mais precisamente, de uma classe burguesa com um modo de vida mais confortável.
No entanto, Garrone aproveita para formar, em Ospiti, uma história de aproximação entre vidas marginais de uma grande cidade: jovens estrangeiros cuja idade se encontra deslocada para o seu objectivo na cidade (sustentar os seus pais) e adultos que se recusam a entrar na responsabilização total de um modo de vida profissional e de compromisso. A incompreensão também existente entre esses modos de vida irá acabar por aproximar os personagens, preferindo Garrone acentuar os seus traços em comum do que separá-los, levando-os para uma história humana tocante e de final comovente.
0 commenti:
Postar um comentário