
Si può fare de Giulio Manfredonia foca-se num dos temas sociais mais importantes da sociedade italiana - os hospitais psiquiátricos e os tratamentos destinados aos seus doentes. A descoberta de maus tratos em certos estabelecimentos manicómios em Itália nos anos setenta levou à criação da "lei Basaglia", acto legislativo importante que veio a implementar o serviço de tratamento mental público de condições dignas e objectivas.
Foram criadas, deste modo, várias cooperativas sociais em instituições psiquiátricas que vieram garantir tempo de trabalho aos doentes. Em Si può fare, acompanha-se, do mesmo modo, a evolução de um grupo de doentes liderados por um sindicalista que trá-los aos modos de vida e de trabalho do exterior. Ao dotá-los de poder de decisão sobre as suas actividades, o seu futuro e o cumprimento dos seus desejos profissionais e humanos (com a repetida frase "si può fare" - "é possível fazer"), vemos um grupo de doentes, cada um com as suas características e personalidades dentro do espírito de grupo, a desligar-se cada vez mais do ambiente hospitalar em que vivem para se integrar socialmente com o exterior e as práticas de um dia-a-dia comum. No final, e num filme cujo registo alterna entre uma tradição da comédia popular italiana e alguns momentos mais sombrios e realistas naturais ao seu enredo, o filme mostra-nos a possibilidade em ultrapassar obstáculos, à partida impossíveis, pela força de vontade e de espírito, mesmo para quem se é julgado como mentalmente incapacitado.
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