
Terra di Mezzo é a primeira longa-metragem de Matteo Garrone, realizador que tem surgido como um dos nomes mais importantes do cinema italiano e europeu dos últimos anos, aqui em retrospectiva na Festa do Cinema Italiano.
Composto por três partes, todas passadas nos arredores de Roma, o filme mostra-nos o quotidiano de prostitutas nigerianas, que negoceiam abertamente os seus preços com os clientes, com quem passam o seu tempo em lugares improvisados e abandonados, os dias de jovem emigrantes albaneses, que aguardam também na estrada para prestarem serviços não-declarados em pequenas obras de construção civil da sua localidade, e a noite de trabalho de um velho emigrante egípcio, cujo retrato é dividido entre as suas conversas e discussões com clientes que o provocam e imagens televisivas de arquivo sobre a sua história em Itália, feita de sonhos desfeitos e de sentimentos de dever.
De uma forma geral, a sensação de espera percorre todos os minutos deste filme, com as características que viriam a marcar o cinema de Garrone: um cinema nas margens, entrando por sítios desabitados por personagens que aí não pertencem, num clima de fricção sobre as suas possibilidades e o anonimato dos locais onde vivem, vivendo nos referidos não-lugares em que se tornam as periferias e os pequenos nichos urbanos dentro da própria cidade, onde a violência e a incompreensão ganham espaço perante um desejo de sobrevivência que não encontra o seu enquadramento cívico. O próprio peso da realidade faz-se sentir sobre a estrutura de ficção do filme, onde os tons de representação e da crueza da sua imagem prendem o espectador a um espaço onde as saídas físicas se vêem condicionadas pela tensão psicológica dos seus momentos.
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